sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Menina
Sempre esteve cercada de nada, com arames de mentiras
Ela agora esta cortada, dos pés a cabeça, ou seria uma ilusão?
Menina tira os pés daí, vá se aprontar, você não sabe quem virá
Ela sempre sonhou com algo parecido com o cinema
Que menina mais travessa, não sabe que a vida é feita do real?
Moeda ou realidade? o fato é que a diferença é um problema
e ela que sonhava, era castigada pelo mundo capital
Mas quanta maldade fazer sofrer um anjo,
Mas que saudade daqueles olhos reluzentes
Que vida triste pra se lembrar com festejo
Que dor imensa, pra se contar sorridente
Ah menina dos contos de cordel, aonde vais?
Ah criança que grita, sua voz é a mais bonita
Ah pequena, de todas és a mais serena
É a vida que te tomas, que me arrebata!!
quinta-feira, 31 de março de 2011
As de copas
A diferença não esta na estrada, mas em como caminhamos...Procuro um curinga, entre tantos que achei, serei eu um deles?
Não quero a bebida púrpura, quero a bela realidade de ser: EU.
Quero viver, quero ouvir, quero ver..
Quero continuar acreditando nas pessoas, mesmo que elas não acreditem em mim.
Querer..querer..querer... Nem só de querer viver o homem, mas o fazer e correr atrás são primordiais, vou salvar o que resta da minha sanidade, tomando o chá de realidade, descendo a ladeira como uma criança no carinho de rolimã.
Aprendi que preciso de pessoas que não me amam, preciso fazer coisas que não gosto, para ter o que perdoar, para me instigar a vontade, a malandragem, o instinto natural.
Mas o essencial é aprender o que você não precisa de fato, as situações que não precisamos passar, e as pessoas que não precisamos tolerar.
Percebi que por mais que o tempo passe, as coisas fiquem e as coisas vão, não saberemos dar o valor que achamos que daríamos enquanto estamos procurando.
Entendi que nasci com os maus costumes herdados de outras gerações, que desde pequena adquiri pessimos hábitos, e que a vida toda deve ser dedicada à mudança permanente dessa herança, porém modificar algo que já esta impregnada na nossa raça é uma constante lenta e dolorida.
Tornamos-nos uma geração incrédula, e sem expectativas, poucos querendo muito e muitos querendo nada.
Percebi através dos fatos que o impulso é vida, e que se muito forte pode te causar a dor da morte... Impulso, pulsa... pulso.
As conhecidencias fazem parte, porque o mundo nem é tão grande assim, e os seres humanos estão sempre à procura das mesmas coisas.
O erro é fundamental, mas a repetição exaustiva dos erros é a morte da esperança, da vontade, da fé.
Entendi que tudo isso que quero, que aprendo, que percebo o tempo todo, nos leva a uma dramaticidade eloqüente da vida e nos torna pessoas racionais demais, que nos transporta do viver para o tentar entender, e perdemos tempo analisando, coisa ineficaz para os sentimentos, todos na sua maioria sem sentido, mais isso é coisa dessa minha obsessão pelo racional.
Vou jogar o jogo, vou fazer meus pares e encontrar pela frente: paus, ouro, espadas e copas, acharei curingas também, poucos mais sempre curingas.
Vou identificar os naipes, juntar as cartas, brincar com a sorte, vou muitas vezes deixar nas mãos do acaso, na desordem embaralhada da seqüência aleatória.
Vou descartar o que não servir e jogar com a vontade de vencer, mesmo perdendo algumas partidas, porque esse é o jogo, e nem sempre quem ganha é vencedor.
Mas nesse jogo que carta serei? Questiono-me mesmo que isso seja algo irrelevante.
Débora Kateriny
terça-feira, 15 de março de 2011
Para dizer metaforicamente que te gosto como és
O que sinto não sei dizer
O que posso não quero
O que quis não sou
Em minhas mãos a tão sonhada estrela,
Apagada.
Não a busquei seria obvio, ela veio e sem cair, pousou
Ah delicado corpo celeste, sua silhueta me comove
Acabara sua luz, enfatizando suas belezas naturais
Mostre-te morta, fria, cruel e compara-te a nós, meros mortais
Complexa, simples, crua e nua, te contemplo, fosca, imensa
Pois o seu brilho é para o mundo e sua essência me pertence.
Encontrar-se
E talvez percebamos que apesar das diferenças
O mundo é nosso.
Misto de razão e eloqüência
Só posso falar de mim.
Vida: poesia desconforme, contradição
Sou o impulso dos sentidos sombrios
Sadomasoquista com inspiração
O medo não sabe o endereço das almas coesas,
Não quero coesão.
Dei-me algo alucinógeno e me mostre o trilho,
la resolvo a direção.
O tempo me consome, hora à hora
E esse agora é indescritível, não dói.
Entendimento: palavra adormecida
Confusão: não sei medir seu valor
Sem valores sou o que me dão
Nada basta, se contente é o mundo moderno
Sem crença, sem vinculo, sem dor, sem compaixão
Sem ..... mim , eu sigo ... semprequarta-feira, 2 de março de 2011
Retroceder
Novamente meus olhos encontram o dia
Minha pele exala seu perfume natural
E tudo se renova como antes acontecia
E o desejo me torna uma arma fatal
Oh olhos verdes, és mistério e inspiração
Do céu e do inferno mostra-me o caminho
Pois não me esquivo de sofreguidão.
Podemos construir um aconchego pra nós dois
Podemos esquecer o mundo triste lá de fora
Podes me mostrar verdadeiramente o que sois
Podes me levar contigo ou ir embora
Somos livres meu passarinho, livres pra voar
Mas que nosso aconchego esteja preservado
Para o nosso triunfo ao voltar.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Aconchego
Para te matar com poesia, usarei o MACHADO de ASSIS
Esquartejarei a maldade, trajado de lenhador,
construo nossa choupana bem resistente e aconchegante
no alto da nossa cumplicidade.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Um grito abrasileirado
Ando meio sufocada e devo dizer que á muito tempo me sinto assim
Sou uma brasileira, pagadora de impostos, e diga-se de passagem, muitos impostos.
Que acorda as 04h50min da manhã e chega em casa após o horário de aula as 00:h30min.
Ando nesses ônibus vergonhosos que fazem mais barulho que trem de carga e que a manutenção é precária.
Fico na fila da lotação em torno de 30 a 40 minutos todos os dias com centenas de outras pessoas que depois de um longo dia de trabalho passa a humilhação de pagar R$3,00 e ainda é tratado como alguém que pede carona.
Espero que ninguém tenha pensado que moro no interior no sertão nordestino, pois acredite se quiser minha residência é na zona leste de São Paulo, sim a cidade que é o centro econômico do país.
Tínhamos de ter vergonha e uma imensa tristeza de ver nos rostos desses trabalhadores o sofrimento do trabalho forçado, que os abalam física e psicologicamente, sem que se dêem conta.
Tínhamos de parar de reclamar para a pessoa ao lado e falar com quem realmente é responsável e pode mudar toda essa zona, lembrar os nossos queridos parlamentares e sua corja que nós somos seus patrões, nós pagamos os seus salários, nós impomos regras, eles estão lá para nos representar como cúmplices e não como inimigos.
Quem ai aumentaria em 61,83% a salário dos seus empregados (aumento recente dos parlamentares) e para si só faria um reajuste de 6,41%?(aumento atual da aposentadoria) Isso se torna até risível para não chamarmos de lamentável.
Fiquemos indignados com o desrespeito, com a falta de humanidade dos governantes para com os nossos direitos, e o descaso com nossa inteligência.
Nós homens somos cegos, nossa capacidade cerebral é enorme e nem temos acesso a ela, somos uma civilização (se é que podemos nos chamar civilização) medíocre, nossos jovens não tem orientação e nem estrutura familiar, nossa cultura é dilacerada por movimentos capitalista de má qualidade.
Eles querem que sejamos ignorantes, querem que votemos em palhaços para cargos federais, querem que fiquemos mudos, querem acabar com leis de incentivo a cultura, porque afinal de contas quem ai precisa disso para se transformar em mão de obra barata e pessoas totalmente manipuláveis? Em?
Cultura é para quem manda, quem obedece não pode ter opinião, porque se tivesse não obedeceria, é uma bola de neve. Eles precisam da população sem instrução, sem estrutura sem capacidade para virar o jogo para continuar apitando a partida.
Esse se transformou em um país de aproveitadores sem escrúpulos, de uma população apática que vive flutuando em torno de regras cuspidas pelos nossos digníssimos representantes, de um povo conformado, morto, frio. Esse é o país do carnaval, do oba-oba, do silêncio que nos é imposto para matar a sede de pouco e multiplicar a fome de milhões.
Esse é o nosso Brasil, terra das contradições.
Débora Kateriny